Sessão de autógrafos com o Dr. Brian Weiss
A Livraria Bertrand e a Editora Pergaminho têm o prazer de convidar V. Exa. para uma sessão de autógrafos com o Dr. Brian Weiss, a realizar no dia 19 de Janeiro pelas 18:30 na Livraria Bertrand do Centro Comercial Picoas Plaza. A sessão de autógrafos será precedida de uma pequena apresentação pelo autor.
Livraria Bertrand – Picoas Plaza – R Tomás Ribeiro, Centro Comercial Picoas Plaza, loja C 0.9 – Lisboa
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
quarta-feira, 19 de novembro de 2008
Excerto:
«1
– Então, achas que fico bem assim?
– Volta-te e deixa-me olhar para ti.
– Stanley, há meia hora que me examinas da cabeça aos pés; já não consigo ficar mais tempo de pé neste estrado.
– Eu diminuiria ainda no comprimento; seria um sacrilégio esconder umas pernas como as tuas!
– Stanley!
– Minha querida, queres ou não queres a minha opinião?
Volta-te outra vez para eu te ver de frente. É exactamente o que eu pensava, entre o decote e o cair das costas não vejo qualquer diferença; pelo menos, se tiveres uma nódoa, só terás de a virar… da frente para trás, é a mesma coisa!
– Stanley!
– Essa ideia de comprares um vestido de noiva em saldo deixa-me horrorizado. Porque não procuras na Internet quando estiveres a trabalhar no computador? Querias a minha opinião, e eu dei-ta.
– Peço desculpa por não poder oferecer nada melhor a mim mesma com o meu salário de infografista.
– Desenhadora, minha princesa! Meu Deus, tenho horror a este vocabulário do século XXI.
– Trabalho com um computador, Stanley, e não com lápis de cor!
– A minha melhor amiga esboça e anima personagens maravilhosas, por isso, com computador ou sem ele, ela é desenhadora e não infografista. Tu realmente tens de discutir acerca de tudo!
– Encurta-se ou deixa-se como está?
– Cinco centímetros! E depois será preciso arranjar este ombro e apertar na cintura.
– Bem, já percebi, detestas este vestido.
– Não foi o que eu disse!
– Mas é o que tu pensas.
– Deixa-me ajudar nas despesas e vamos rapidamente à Anna Maier; peço-te que me ouças pelo menos desta vez!
– A dez mil dólares um vestido? Estás completamente louco! Também não tens dinheiro para isso, e, depois, é apenas um casamento, Stanley!
– O teu casamento!
– Eu sei – suspirou Julia.
– Com a fortuna que possui, o teu pai poderia…
– A última vez que vi o meu pai, estava eu parada num semáforo vermelho e ele descia num carro a 5th Avenue… há seis meses. Fim de discussão!
Julia encolheu os ombros e desceu do estrado. Stanley segurou-a pela mão e abraçou -a.
– Minha querida, todos os vestidos do mundo te ficariam às mil maravilhas, apenas quero que o teu seja perfeito. Porque não pedes ao teu futuro marido que to ofereça?
– Porque os pais do Adam já vão pagar a cerimónia, e se se pudesse evitar contar à sua família que ele se vai casar com uma Cosette não me sentiria pior. Num passo ligeiro, Stanley atravessou a loja e dirigiu-se para um expositor perto da montra. Encostados ao balcão da caixa, vendedores e vendedoras conversavam entre eles ignorando-o por completo. Agarrou num vestido estreito de cetim branco e deu meia-volta.
– Experimenta este e não quero ouvir nem mais uma palavra!
– É um 36, Stanley, nunca conseguirei caber nele.
– O que é que eu acabei de te dizer?
Julia ergueu os olhos aos céus e entrou na cabina de provas que Stanley lhe apontava com o dedo.
– É um 36, Stanley! – repetiu ela, afastando -se.
Alguns minutos depois, a cortina abriu-se tão bruscamente como se fechara.
– Eis por fim uma coisa que se assemelha ao vestido de casamento da Julia – exclamou Stanley. – Sobe já para o estrado.
– Tens um guindaste para me içar? Porque se dobro um joelho…
– Fica-te às mil maravilhas!
– E, se engolir um petit four, as costuras rebentam.
– Nunca se come no dia do nosso casamento. Alarga-se um bocadinho de nada no peito e ficarás com um ar de rainha! Achas que haverá algum vendedor nesta loja? É absolutamente inacreditável!
– Eu é que deveria estar nervosa, e não tu!
– Eu não estou nervoso, estou é espantado por ter de ser eu a arrastar-te para vires comprar o teu vestido de noiva quando faltam apenas quatro dias para a cerimónia!
– Só tenho trabalhado nestes últimos tempos! E nunca poderemos falar deste dia a Adam, pois há um mês que lhe jurei que estava tudo pronto. Stanley agarrou numa pregadeira de alfinetes que estava abandonada em cima do braço de uma poltrona e ajoelhou-se aos pés de Julia.
– O teu marido não se apercebe da sorte que tem. Tu és fantástica.
– Pára com as tuas pequenas ferroadas contra o Adam. Afinal, de que é que o censuras?
– É parecido com o teu pai…
– Não sabes o que dizes. O Adam não tem nada a ver com ele, aliás, ele detesta-o.
– O Adam detesta o teu pai? Um bom ponto a favor dele.
– Não, o meu pai é que detesta o Adam.
– O teu pai sempre odiou tudo o que se aproximava de ti. Se tivesses tido um cão, ele tê-lo-ia mordido.
– Não, se eu tivesse tido um cão, ele teria certamente mordido o meu pai – disse Julia a rir.
– Seria o teu pai a morder o cão!
Stanley ergueu-se e recuou alguns passos para contemplar o seu trabalho. Abanou a cabeça e inspirou profundamente.
– O que é que se passa? – perguntou Julia.
– Está perfeito, ou melhor, tu é que és perfeita. Deixa-me ajustar a cintura e poderás finalmente levar-me a almoçar.
– Num restaurante à tua escolha, meu amigo!
– Com este sol, poderá ser na primeira esplanada; mas tem de ficar à sombra e tu tens de deixar de te mexer para que eu possa acabar este vestido… quase perfeito.
– Porquê «quase»?
– Porque está em saldo, minha querida!
Passou uma vendedora e perguntou-lhes se precisavam de ajuda. Stanley mandou -a embora fazendo um gesto com a mão.
– Achas que ele virá?
– Quem? – perguntou Julia.
– O teu pai, idiota!
– Pára de me falares nele. Disse -te que não tinha notícias dele desde há meses.
– No entanto, isso não quer dizer…
– Ele não vem!
– E tu deste-lhe notícias tuas?
– Há muito tempo que desisti de contar a minha vida ao secretário particular do meu pai, porque o papá está em viagem ou em reunião e não tem tempo para falar com a filha.
– Enviaste-lhe uma participação?
– Estás quase a acabar?
– Quase! Vocês parecem um velho casal; ele é ciumento. Todos os pais são ciumentos! Há-de passar-lhe.
– É a primeira vez que te ouço defendê-lo. E depois, se somos um velho casal, então há anos que nos divorciámos. Ouviu-se a melodia de «I Will Survive» vinda da mala de Julia. Stanley interrogou-a com o olhar.
– Queres o teu telefone?
– É certamente o Adam ou do estúdio…
– Não te mexas, vais arruinar todo o meu trabalho, eu levo-to. Stanley mergulhou a mão no saco da amiga, tirou lá de dentro o telemóvel e estendeu-lho. Gloria Gaynor calou-se de imediato.
– Tarde de mais! – murmurou Julia, olhando para o número no visor.
– Então, era o Adam ou do trabalho?
– Nem um, nem outro – respondeu ela, com o rosto contraído.
Stanley fixou-a.
– Vamos brincar às adivinhas?
– Era do escritório do meu pai.
– Liga -lhe!
– É claro que não! Ele que me ligue.
– Foi o que ele acabou de fazer, não?
– Foi o que acabou de fazer o seu secretário, era a linha dele.
– Estás à espera desta chamada desde que puseste no correio a participação do teu casamento. Deixa de ser criança. A quatro dias do enlace, é costume evitar-se ao máximo o stresse. Queres que te apareça uma borbulha enorme no lábio ou uma erupção
horrível no pescoço? Então, liga-lhe já.
– Para que o Wallace me explique que o meu pai está sinceramente triste, mas que vai estar em viagem no estrangeiro e não poderá, infelizmente, cancelar uma deslocação agendada há meses? Ou então que, infelizmente, vai estar ocupado nesse
dia com um assunto da mais alta importância ou outra desculpa qualquer?
– Ou então que está feliz por poder comparecer no casamento da filha e que quer ter a certeza de que, apesar das divergências entre ambos, ela o sentará na mesa de honra!
– O meu pai dá pouca importância às honras; se viesse, preferiria estar perto do bengaleiro, desde que a jovem mulher que dele se ocupa fosse extremamente bem-feita!
– Deixa de o odiar e liga-lhe, Julia. Oh, olha, faz como quiseres. Vais passar o casamento todo a espreitar para veres quando é que ele chega, em vez de aproveitares o momento.
– E assim esquecer-me-ei de que não posso tocar nos petits fours por correr o risco de explodir no vestido que escolheste!
– Que simpática, minha querida! – assobiou Stanley, dirigindo -se para a porta da loja. – Almoçamos num dia em que estejas mais bem-disposta.
Julia tropeçou ao descer do estrado, e correu na sua direcção. Agarrou-o pelo ombro e, desta vez, foi ela que o abraçou.
– Desculpa, Stanley, não queria dizer aquilo, estou desolada.
– Em relação ao teu pai ou ao vestido que tão mal escolhi e ajustei? Gostava que reparasses que nem a tua descida catastrófica nem a cavalgada que empreendeste nesta loja ordinária parecem ter desfeito a mínima costura!
– O vestido é perfeito, tu és o meu melhor amigo, sem ti nem sequer poderia pensar em dirigir-me ao altar. Stanley olhou para Julia, tirou um lenço de seda da algibeira e limpou os olhos húmidos da amiga.
– Queres realmente atravessar a igreja de braço dado com uma grande louca, ou a tua última maldade seria fazeres-me passar pelo teu asqueroso pai?
– Não esperes por isso, não tens rugas suficientes para seres credível nesse papel.
– Era a ti que eu estava a favorecer, palerma, rejuvenescendo-te um pouco de mais.
– Stanley, é pelo teu braço que quero ser conduzida para junto do meu marido! Que outra pessoa poderia ser?
Ele sorriu, apontou para o telemóvel de Julia e disse-lhe numa voz terna:
– Liga ao teu pai! Vou dar instruções à idiota da vendedora, que tem ar de não saber o que é um cliente, para que o teu vestido esteja pronto depois de amanhã, e iremos por fim almoçar. Telefona agora, Julia, estou a morrer de fome!
Stanley afastou-se e dirigiu-se à caixa. De caminho, lançou uma olhadela à amiga, viu-a hesitar e por fim telefonar. Aproveitou para tirar discretamente o livro de cheques, pagou o vestido, o trabalho da costureira e juntou uma gorjeta para que ficasse tudo pronto dentro de quarenta e oito horas. Guardou o talão na algibeira e voltou para junto de Julia, que acabava de desligar.
– Então? – perguntou ele impaciente. – Ele sempre vem?
Julia abanou a cabeça.
– Qual é desta vez o pretexto invocado para justificar a sua ausência?
Julia inspirou profundamente e fixou Stanley.
– Ele morreu!
Os dois amigos entreolharam-se durante um momento, mudos.
– Neste caso, devo dizer que a desculpa é perfeita! – murmurou Stanley baixinho.
– És realmente parvo, sabias?
– Estou confuso, não era isso que eu queria dizer; na verdade, não sei o que é que me passou pela cabeça. Estou triste por ti, minha querida.
– Não sinto nada, Stanley, nem a mais pequena dor no peito, nem uma lágrima a subir.
– Mas vais sentir, não te preocupes, ainda estás em estado de choque.
– Sim, justamente por isso.
– Queres ligar ao Adam?
– Não, agora não, mais tarde.
Stanley olhou a amiga com um ar inquieto.
– Não queres dizer ao teu futuro marido que o teu pai acabou de morrer?
– Morreu ontem à noite, em Paris. O corpo será repatriado de avião e o enterro terá lugar dentro de quatro dias – acrescentou ela numa voz quase inaudível.
Stanley começou a contar pelos dedos.
– Neste sábado? – perguntou ele, arregalando os olhos.
– Na tarde do meu casamento… – murmurou Julia.
Stanley dirigiu-se imediatamente à caixa, recuperou o cheque e arrastou Julia para a rua.
As Coisas Que Nunca Dissemos
Marc Levy
«1– Então, achas que fico bem assim?
– Volta-te e deixa-me olhar para ti.
– Stanley, há meia hora que me examinas da cabeça aos pés; já não consigo ficar mais tempo de pé neste estrado.
– Eu diminuiria ainda no comprimento; seria um sacrilégio esconder umas pernas como as tuas!
– Stanley!
– Minha querida, queres ou não queres a minha opinião?
Volta-te outra vez para eu te ver de frente. É exactamente o que eu pensava, entre o decote e o cair das costas não vejo qualquer diferença; pelo menos, se tiveres uma nódoa, só terás de a virar… da frente para trás, é a mesma coisa!
– Stanley!
– Essa ideia de comprares um vestido de noiva em saldo deixa-me horrorizado. Porque não procuras na Internet quando estiveres a trabalhar no computador? Querias a minha opinião, e eu dei-ta.
– Peço desculpa por não poder oferecer nada melhor a mim mesma com o meu salário de infografista.
– Desenhadora, minha princesa! Meu Deus, tenho horror a este vocabulário do século XXI.
– Trabalho com um computador, Stanley, e não com lápis de cor!
– A minha melhor amiga esboça e anima personagens maravilhosas, por isso, com computador ou sem ele, ela é desenhadora e não infografista. Tu realmente tens de discutir acerca de tudo!
– Encurta-se ou deixa-se como está?
– Cinco centímetros! E depois será preciso arranjar este ombro e apertar na cintura.
– Bem, já percebi, detestas este vestido.
– Não foi o que eu disse!
– Mas é o que tu pensas.
– Deixa-me ajudar nas despesas e vamos rapidamente à Anna Maier; peço-te que me ouças pelo menos desta vez!
– A dez mil dólares um vestido? Estás completamente louco! Também não tens dinheiro para isso, e, depois, é apenas um casamento, Stanley!
– O teu casamento!
– Eu sei – suspirou Julia.
– Com a fortuna que possui, o teu pai poderia…
– A última vez que vi o meu pai, estava eu parada num semáforo vermelho e ele descia num carro a 5th Avenue… há seis meses. Fim de discussão!
Julia encolheu os ombros e desceu do estrado. Stanley segurou-a pela mão e abraçou -a.
– Minha querida, todos os vestidos do mundo te ficariam às mil maravilhas, apenas quero que o teu seja perfeito. Porque não pedes ao teu futuro marido que to ofereça?
– Porque os pais do Adam já vão pagar a cerimónia, e se se pudesse evitar contar à sua família que ele se vai casar com uma Cosette não me sentiria pior. Num passo ligeiro, Stanley atravessou a loja e dirigiu-se para um expositor perto da montra. Encostados ao balcão da caixa, vendedores e vendedoras conversavam entre eles ignorando-o por completo. Agarrou num vestido estreito de cetim branco e deu meia-volta.
– Experimenta este e não quero ouvir nem mais uma palavra!
– É um 36, Stanley, nunca conseguirei caber nele.
– O que é que eu acabei de te dizer?
Julia ergueu os olhos aos céus e entrou na cabina de provas que Stanley lhe apontava com o dedo.
– É um 36, Stanley! – repetiu ela, afastando -se.
Alguns minutos depois, a cortina abriu-se tão bruscamente como se fechara.
– Eis por fim uma coisa que se assemelha ao vestido de casamento da Julia – exclamou Stanley. – Sobe já para o estrado.
– Tens um guindaste para me içar? Porque se dobro um joelho…
– Fica-te às mil maravilhas!
– E, se engolir um petit four, as costuras rebentam.
– Nunca se come no dia do nosso casamento. Alarga-se um bocadinho de nada no peito e ficarás com um ar de rainha! Achas que haverá algum vendedor nesta loja? É absolutamente inacreditável!
– Eu é que deveria estar nervosa, e não tu!
– Eu não estou nervoso, estou é espantado por ter de ser eu a arrastar-te para vires comprar o teu vestido de noiva quando faltam apenas quatro dias para a cerimónia!
– Só tenho trabalhado nestes últimos tempos! E nunca poderemos falar deste dia a Adam, pois há um mês que lhe jurei que estava tudo pronto. Stanley agarrou numa pregadeira de alfinetes que estava abandonada em cima do braço de uma poltrona e ajoelhou-se aos pés de Julia.
– O teu marido não se apercebe da sorte que tem. Tu és fantástica.
– Pára com as tuas pequenas ferroadas contra o Adam. Afinal, de que é que o censuras?
– É parecido com o teu pai…
– Não sabes o que dizes. O Adam não tem nada a ver com ele, aliás, ele detesta-o.
– O Adam detesta o teu pai? Um bom ponto a favor dele.
– Não, o meu pai é que detesta o Adam.
– O teu pai sempre odiou tudo o que se aproximava de ti. Se tivesses tido um cão, ele tê-lo-ia mordido.
– Não, se eu tivesse tido um cão, ele teria certamente mordido o meu pai – disse Julia a rir.
– Seria o teu pai a morder o cão!
Stanley ergueu-se e recuou alguns passos para contemplar o seu trabalho. Abanou a cabeça e inspirou profundamente.
– O que é que se passa? – perguntou Julia.
– Está perfeito, ou melhor, tu é que és perfeita. Deixa-me ajustar a cintura e poderás finalmente levar-me a almoçar.
– Num restaurante à tua escolha, meu amigo!
– Com este sol, poderá ser na primeira esplanada; mas tem de ficar à sombra e tu tens de deixar de te mexer para que eu possa acabar este vestido… quase perfeito.
– Porquê «quase»?
– Porque está em saldo, minha querida!
Passou uma vendedora e perguntou-lhes se precisavam de ajuda. Stanley mandou -a embora fazendo um gesto com a mão.
– Achas que ele virá?
– Quem? – perguntou Julia.
– O teu pai, idiota!
– Pára de me falares nele. Disse -te que não tinha notícias dele desde há meses.
– No entanto, isso não quer dizer…
– Ele não vem!
– E tu deste-lhe notícias tuas?
– Há muito tempo que desisti de contar a minha vida ao secretário particular do meu pai, porque o papá está em viagem ou em reunião e não tem tempo para falar com a filha.
– Enviaste-lhe uma participação?
– Estás quase a acabar?
– Quase! Vocês parecem um velho casal; ele é ciumento. Todos os pais são ciumentos! Há-de passar-lhe.
– É a primeira vez que te ouço defendê-lo. E depois, se somos um velho casal, então há anos que nos divorciámos. Ouviu-se a melodia de «I Will Survive» vinda da mala de Julia. Stanley interrogou-a com o olhar.
– Queres o teu telefone?
– É certamente o Adam ou do estúdio…
– Não te mexas, vais arruinar todo o meu trabalho, eu levo-to. Stanley mergulhou a mão no saco da amiga, tirou lá de dentro o telemóvel e estendeu-lho. Gloria Gaynor calou-se de imediato.
– Tarde de mais! – murmurou Julia, olhando para o número no visor.
– Então, era o Adam ou do trabalho?
– Nem um, nem outro – respondeu ela, com o rosto contraído.
Stanley fixou-a.
– Vamos brincar às adivinhas?
– Era do escritório do meu pai.
– Liga -lhe!
– É claro que não! Ele que me ligue.
– Foi o que ele acabou de fazer, não?
– Foi o que acabou de fazer o seu secretário, era a linha dele.
– Estás à espera desta chamada desde que puseste no correio a participação do teu casamento. Deixa de ser criança. A quatro dias do enlace, é costume evitar-se ao máximo o stresse. Queres que te apareça uma borbulha enorme no lábio ou uma erupção
horrível no pescoço? Então, liga-lhe já.
– Para que o Wallace me explique que o meu pai está sinceramente triste, mas que vai estar em viagem no estrangeiro e não poderá, infelizmente, cancelar uma deslocação agendada há meses? Ou então que, infelizmente, vai estar ocupado nesse
dia com um assunto da mais alta importância ou outra desculpa qualquer?
– Ou então que está feliz por poder comparecer no casamento da filha e que quer ter a certeza de que, apesar das divergências entre ambos, ela o sentará na mesa de honra!
– O meu pai dá pouca importância às honras; se viesse, preferiria estar perto do bengaleiro, desde que a jovem mulher que dele se ocupa fosse extremamente bem-feita!
– Deixa de o odiar e liga-lhe, Julia. Oh, olha, faz como quiseres. Vais passar o casamento todo a espreitar para veres quando é que ele chega, em vez de aproveitares o momento.
– E assim esquecer-me-ei de que não posso tocar nos petits fours por correr o risco de explodir no vestido que escolheste!
– Que simpática, minha querida! – assobiou Stanley, dirigindo -se para a porta da loja. – Almoçamos num dia em que estejas mais bem-disposta.
Julia tropeçou ao descer do estrado, e correu na sua direcção. Agarrou-o pelo ombro e, desta vez, foi ela que o abraçou.
– Desculpa, Stanley, não queria dizer aquilo, estou desolada.
– Em relação ao teu pai ou ao vestido que tão mal escolhi e ajustei? Gostava que reparasses que nem a tua descida catastrófica nem a cavalgada que empreendeste nesta loja ordinária parecem ter desfeito a mínima costura!
– O vestido é perfeito, tu és o meu melhor amigo, sem ti nem sequer poderia pensar em dirigir-me ao altar. Stanley olhou para Julia, tirou um lenço de seda da algibeira e limpou os olhos húmidos da amiga.
– Queres realmente atravessar a igreja de braço dado com uma grande louca, ou a tua última maldade seria fazeres-me passar pelo teu asqueroso pai?
– Não esperes por isso, não tens rugas suficientes para seres credível nesse papel.
– Era a ti que eu estava a favorecer, palerma, rejuvenescendo-te um pouco de mais.
– Stanley, é pelo teu braço que quero ser conduzida para junto do meu marido! Que outra pessoa poderia ser?
Ele sorriu, apontou para o telemóvel de Julia e disse-lhe numa voz terna:
– Liga ao teu pai! Vou dar instruções à idiota da vendedora, que tem ar de não saber o que é um cliente, para que o teu vestido esteja pronto depois de amanhã, e iremos por fim almoçar. Telefona agora, Julia, estou a morrer de fome!
Stanley afastou-se e dirigiu-se à caixa. De caminho, lançou uma olhadela à amiga, viu-a hesitar e por fim telefonar. Aproveitou para tirar discretamente o livro de cheques, pagou o vestido, o trabalho da costureira e juntou uma gorjeta para que ficasse tudo pronto dentro de quarenta e oito horas. Guardou o talão na algibeira e voltou para junto de Julia, que acabava de desligar.
– Então? – perguntou ele impaciente. – Ele sempre vem?
Julia abanou a cabeça.
– Qual é desta vez o pretexto invocado para justificar a sua ausência?
Julia inspirou profundamente e fixou Stanley.
– Ele morreu!
Os dois amigos entreolharam-se durante um momento, mudos.
– Neste caso, devo dizer que a desculpa é perfeita! – murmurou Stanley baixinho.
– És realmente parvo, sabias?
– Estou confuso, não era isso que eu queria dizer; na verdade, não sei o que é que me passou pela cabeça. Estou triste por ti, minha querida.
– Não sinto nada, Stanley, nem a mais pequena dor no peito, nem uma lágrima a subir.
– Mas vais sentir, não te preocupes, ainda estás em estado de choque.
– Sim, justamente por isso.
– Queres ligar ao Adam?
– Não, agora não, mais tarde.
Stanley olhou a amiga com um ar inquieto.
– Não queres dizer ao teu futuro marido que o teu pai acabou de morrer?
– Morreu ontem à noite, em Paris. O corpo será repatriado de avião e o enterro terá lugar dentro de quatro dias – acrescentou ela numa voz quase inaudível.
Stanley começou a contar pelos dedos.
– Neste sábado? – perguntou ele, arregalando os olhos.
– Na tarde do meu casamento… – murmurou Julia.
Stanley dirigiu-se imediatamente à caixa, recuperou o cheque e arrastou Julia para a rua.
– Eu é que te convido para almoçar!»
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Um Novo Mundo
Despertar para a Essência da Vida
Partilhe connosco e com todos os leitores a sua experiência!
«É a coisa mais excitante que já fiz. Milhões de pessoas em todo o mundo já começaram a passar pela experiência de Um Novo Mundo por si próprios e estão a despertar para as possibilidades das suas vidas.»
Oprah Winfrey
Leitores de todo o Mundo e agora de Portugal estão a descobrir Um Novo Mundo, de Eckhart Tolle. O despertar pode ser doloroso, mas libertador e pode ser uma experiência bastante intensa, capaz de provocar uma revolução na maneira como percepcionamos a nossa vida e a dos outros. Abrimos aqui um espaço de reflexão, onde o leitor pode partilhar connosco e com os leitores desta magnífica obra a sua própria experiência na descoberta da sua essência. A troca de ideias e pensamentos poderá permitir uma compreensão ainda mais aprofundada da mensagem de Eckhart Tolle. Deixe um comentário e descubra como a leitura de Um Novo Mundo tem tocado os portugueses por todo o país.
Despertar para a Essência da Vida
Partilhe connosco e com todos os leitores a sua experiência!

«É a coisa mais excitante que já fiz. Milhões de pessoas em todo o mundo já começaram a passar pela experiência de Um Novo Mundo por si próprios e estão a despertar para as possibilidades das suas vidas.»
Oprah Winfrey
Leitores de todo o Mundo e agora de Portugal estão a descobrir Um Novo Mundo, de Eckhart Tolle. O despertar pode ser doloroso, mas libertador e pode ser uma experiência bastante intensa, capaz de provocar uma revolução na maneira como percepcionamos a nossa vida e a dos outros. Abrimos aqui um espaço de reflexão, onde o leitor pode partilhar connosco e com os leitores desta magnífica obra a sua própria experiência na descoberta da sua essência. A troca de ideias e pensamentos poderá permitir uma compreensão ainda mais aprofundada da mensagem de Eckhart Tolle. Deixe um comentário e descubra como a leitura de Um Novo Mundo tem tocado os portugueses por todo o país.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Imprensa:
«Conferência
"Manicómio global é futuro da sociedade"
As sociedades actuais estão a transformar-se um "grande manicómio global" tão grande vai ser, no futuro, o número de pessoas afectadas por doenças do foro psíquico, defende o psiquiatra e investigador brasileiro Augusto Cury. "O Mundo vai ser um grande hospital psiquiátrico. As doenças vão aumentar, não tenho dúvida nenhuma", disse à Lusa, após uma conferência em Penafiel.
O psiquiatra tem-se notabilizado internacionalmente por estudar os temas relacionados com os processos de construção do pensamento, com a inteligência humana e com o funcionamento da mente.
Em Portugal, Augusto Cury celebrizou-se com a publicação dos livros "Filhos Brilhantes, Alunos Fascinantes" e "Pais Brilhantes, Professores Fascinantes", considerados best-sellers dado o número de exemplares vendidos. "O modelo de sociedade actual transformou-se numa fábrica de pessoas stressadas e ansiosas", que apresentam sintomas como a irritabilidade, a impaciência, a intolerância e pensamentos antecipatórios".»
Jornal de Notícias
«Conferência
"Manicómio global é futuro da sociedade"
As sociedades actuais estão a transformar-se um "grande manicómio global" tão grande vai ser, no futuro, o número de pessoas afectadas por doenças do foro psíquico, defende o psiquiatra e investigador brasileiro Augusto Cury. "O Mundo vai ser um grande hospital psiquiátrico. As doenças vão aumentar, não tenho dúvida nenhuma", disse à Lusa, após uma conferência em Penafiel.
O psiquiatra tem-se notabilizado internacionalmente por estudar os temas relacionados com os processos de construção do pensamento, com a inteligência humana e com o funcionamento da mente.
Em Portugal, Augusto Cury celebrizou-se com a publicação dos livros "Filhos Brilhantes, Alunos Fascinantes" e "Pais Brilhantes, Professores Fascinantes", considerados best-sellers dado o número de exemplares vendidos. "O modelo de sociedade actual transformou-se numa fábrica de pessoas stressadas e ansiosas", que apresentam sintomas como a irritabilidade, a impaciência, a intolerância e pensamentos antecipatórios".»
Jornal de Notícias
quinta-feira, 23 de outubro de 2008
Augusto Cury em Portugal!
Nos dias 24 e 25 de Outubro, Augusto Cury estará em Portugal para o lançamento oficial de O Código da Inteligência. O autor será ainda o orador principal do Congresso Nacional do Instituto da Inteligência, cujo tema central é a EDUCAÇÃO E O HOMEM DO FUTURO.
Nos dias 24 e 25 de Outubro, Augusto Cury estará em Portugal para o lançamento oficial de O Código da Inteligência. O autor será ainda o orador principal do Congresso Nacional do Instituto da Inteligência, cujo tema central é a EDUCAÇÃO E O HOMEM DO FUTURO.Saber mais aqui.
O Código da Inteligência descreve de forma fascinante os códigos do eu como gestor psíquico, da intuição criativa, da autocrítica, do altruísmo e da resiliência. Esses códigos conseguem estimular-nos a ser mais criativos e a desenvolver a saúde psíquica e a excelência profissional. Descreve também as armadilhas da mente em que facilmente caímos e que podem bloquear a inteligência. Um livro indispensável para todos aqueles que se queiram tornar mestres na arte de pensar.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
«Um Novo Mundo» na Oprah
Nas últimas semanas, o programa da Oprah (a passar em Portugal, na SicMulher, de 2ª a 6ª feira, por volta das 21h45) tem sido dedicado a um livro muito especial: Um Novo Mundo, de Eckhart Tolle. De origem alemã, este autor licenciou-se pela Universidade de Londres e trabalhou como investigador na Universidade de Cambridge. Aos 29 anos, uma profunda transformação espiritual mudou radicalmente a sua vida. Nos anos que se seguiram, dedicou-se a compreender, integrar e aprofundar essa transformação, que marcou o início de uma intensa caminhada interior. Nos últimos anos tem trabalhado como conselheiro e mestre espiritual a título particular e com pequenos grupos, tanto na Europa como nos EUA. Vive em Vancouver, no Canadá, desde 1996.
Nas últimas semanas, o programa da Oprah (a passar em Portugal, na SicMulher, de 2ª a 6ª feira, por volta das 21h45) tem sido dedicado a um livro muito especial: Um Novo Mundo, de Eckhart Tolle. De origem alemã, este autor licenciou-se pela Universidade de Londres e trabalhou como investigador na Universidade de Cambridge. Aos 29 anos, uma profunda transformação espiritual mudou radicalmente a sua vida. Nos anos que se seguiram, dedicou-se a compreender, integrar e aprofundar essa transformação, que marcou o início de uma intensa caminhada interior. Nos últimos anos tem trabalhado como conselheiro e mestre espiritual a título particular e com pequenos grupos, tanto na Europa como nos EUA. Vive em Vancouver, no Canadá, desde 1996.Em Janeiro de 2008, Oprah Winfrey seleccionou o livro Um Novo Mundo, para o Oprah's Book Club. Foi a primeira vez que a apresentadora de televisão escolheu um livro de não-ficção, sem ser de memórias. Terá sido a sua mais arrojada escolha até ao momento. Para levar os ensinamentos espirituais do autor aos leitores de todo o mundo, a apresentadora juntou-se a Eckhart Tolle para começar a primeira aula global e interactiva ao vivo da história do Oprah Show. «É a coisa mais excitante que já fiz.», revela, «Milhões de pessoas em todo o mundo já começaram a passar pela experiência de Um Novo Mundo por si próprios e estão a despertar para as possibilidades das suas vidas.»
Durante as suas aulas, Oprah e Tolle têm abordado várias temáticas, desde como sossegar a mente, a estar totalmente presente no momento. Vários leitores de todo o mundo vão partilhando em directo as suas experiências sobre o impacto que a leitura de Um Novo Mundo teve nas suas vidas e sobre como os terá despertado para uma nova consciência, permitindo-lhes viver cada momento, não como se fosse o último, mas como se fosse o primeiro. «O que eu sei com toda a certeza é que não se pode começar a viver o melhor possível se não se estiver em total comunhão com o espírito.», diz a apresentadora na página do seu site, dedicado ao programa especial de Um Novo Mundo.
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Assista à maior aula do mundo e comece a despertar para a essência da vida.
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quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Imprensa:
«Frankfurt
Paulo Coelho defende benefícios da Internet para a literatura
O escritor Paulo Coelho exaltou as possibilidades que a Internet abre à literatura e pediu às editoras que não encarem a rede como uma ameaça. As declarações foram proferidas durante a conferência de imprensa que marcou a abertura da Feira do Livro de Frankfurt
Paulo Coelho, que considera que o livro impresso durará pelo menos mais mil anos, relatou as suas experiências na Internet e comparou as repercussões da revolução digital com a revolução de Gutenberg.
Para o autor, a evolução dos últimos dez anos, que marcou o aparecimento da Internet e de novas plataformas para a difusão de ideias, traduz-se numa radicalização do processo de «democratização das ideias» iniciado por Gutenberg.
«Pouco a pouco as pessoas tomam consciência de que podem divulgar o que quiserem na rede, onde todos podem ver, e que são os seus próprios directores de programa», salientou o escritor.
Na sua opinião, a possibilidade de partilhas gratuitas de informação oferecida pela Internet é crucial para as indústrias relacionadas ao mundo da cultura.
Quanto à indústria da música, Paulo Coelho considerou que teve uma reacção inicial errada quando tentou impedir o download de músicas em vez de ter acordado um preço para esta acção.
Em relação ao sector editorial, o escritor pensa que está mais «protegido» da Internet do que a indústria da música ou a indústria cinematográfica, uma vez que a rede tem a ver com a leitura e a escrita, fazendo com que as editoras registassem com alegria um renascimento da comunicação e da expressão escrita nos anos 90.
Apesar disso, Paulo Coelho afirma que, até ao momento, a atitude do sector editorial relativamente a este meio sofre de incompreensão e falta de entendimento.
Paulo Coelho acha que a Internet oferece, antes de mais, a possibilidade de divulgar e aumentar o número das pessoas que não lêem os textos apenas pela rede, mas que acabam por recorrer ao livro impresso.»
Notícia do jornal Sol, tirada daqui.
«Frankfurt
Paulo Coelho defende benefícios da Internet para a literatura
O escritor Paulo Coelho exaltou as possibilidades que a Internet abre à literatura e pediu às editoras que não encarem a rede como uma ameaça. As declarações foram proferidas durante a conferência de imprensa que marcou a abertura da Feira do Livro de Frankfurt
Paulo Coelho, que considera que o livro impresso durará pelo menos mais mil anos, relatou as suas experiências na Internet e comparou as repercussões da revolução digital com a revolução de Gutenberg.
Para o autor, a evolução dos últimos dez anos, que marcou o aparecimento da Internet e de novas plataformas para a difusão de ideias, traduz-se numa radicalização do processo de «democratização das ideias» iniciado por Gutenberg.
«Pouco a pouco as pessoas tomam consciência de que podem divulgar o que quiserem na rede, onde todos podem ver, e que são os seus próprios directores de programa», salientou o escritor.
Na sua opinião, a possibilidade de partilhas gratuitas de informação oferecida pela Internet é crucial para as indústrias relacionadas ao mundo da cultura.
Quanto à indústria da música, Paulo Coelho considerou que teve uma reacção inicial errada quando tentou impedir o download de músicas em vez de ter acordado um preço para esta acção.
Em relação ao sector editorial, o escritor pensa que está mais «protegido» da Internet do que a indústria da música ou a indústria cinematográfica, uma vez que a rede tem a ver com a leitura e a escrita, fazendo com que as editoras registassem com alegria um renascimento da comunicação e da expressão escrita nos anos 90.
Apesar disso, Paulo Coelho afirma que, até ao momento, a atitude do sector editorial relativamente a este meio sofre de incompreensão e falta de entendimento.
Paulo Coelho acha que a Internet oferece, antes de mais, a possibilidade de divulgar e aumentar o número das pessoas que não lêem os textos apenas pela rede, mas que acabam por recorrer ao livro impresso.»
Notícia do jornal Sol, tirada daqui.
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