quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

Oprah Winfrey recomenda Um Novo Mundo de Eckhart Tolle

Oprah Winfrey anunciou com pompa e circunstância o livro escolhido para este mês para o Oprah's Book Club. Todos os meses a apresentadora de televisão norte-americana, considerada a mulher mais poderosa da televisão, selecciona para o seu clube literário um livro. Alguns dos títulos já recomendados foram a Anna Karenina, de Leão Tolstoi; A Estrada, de Cormac Maccarthy, entre outros. Agora, Oprah escolheu um livro que foi publicado pela Pergaminho em 2006, Um Novo Mundo, de Eckhart Tolle.

Na sequência do seu best-seller internacional O Poder do Agora, Eckhart Tolle apresenta aos leitores uma abordagem franca do estado presente da evolução espiritual da humanidade. O principal objectivo deste livro é, segundo o autor, dar origem a uma mudança, a um despertar. Isso implica uma profunda transformação interior, uma passagem do ego a uma forma totalmente nova de consciência. Ao longo das deste livro páginas, Tolle revela, com o seu estilo profundo mas acessível, os passos necessários para cada um de nós preparar tal transformação.

Eckhart Tolle nasceu na Alemanha, onde viveu até aos treze anos. Licenciou-se pela Universidade de Londres e trabalhou como investigador na Universidade de Cambridge. Aos vinte e nove anos, uma profunda transformação espiritual mudou radicalmente a sua vida. Nos anos que se seguiram dedicou-se a compreender, integrar e aprofundar essa transformação, que marcou o início de uma intensa caminhada interior. Nos últimos anos tem trabalhado como conselheiro e mestre espiritual a título particular e com pequenos grupos, tanto na Europa como nos Estados Unidos. Vive em Vancouver, no Canadá, desde 1996.

segunda-feira, 14 de janeiro de 2008

Paulo Coelho no I Fórum da Aliança de Civilizações

Paulo Coelho participará no I Fórum da Aliança das Civilizações, organizado pela ONU, que se celebrará em Madrid nos dias 15 e 16 de Janeiro, junto com líderes políticos e representantes da organismos internacionais e regionais, assim como da sociedade civil e fundações. O fórum destina-se a explorar formas de enfrentar o risco que representa, para a paz e segurança internacionais, a crescente polarização entre nações e culturas de todo o mundo, e a estudar o desenvolvimento de novas vias para o entendimento multicultural em escala global.
O I Fórum da Aliança de Civilizações foi concebido como um evento com um enfoque eminentemente prático, que proporcionará aos participantes uma plataforma internacional sem precedentes para colaborar no desenvolvimento de iniciativas conjuntas. Junto com a celebração de debates de alto nível sobre as tendências actuais das relações interculturais e inter-religiosas, o fórum contará também com sessões de trabalho orientadas para questões específicas nas quais serão analisadas novas iniciativas.
O fórum proporcionará também um espaço de convergência entre as agências governamentais, os organismos internacionais e os representantes da sociedade civil que trabalham e estão comprometidos com o diálogo intercultural e religioso, para que possam partilhar as suas melhores práticas e pôr em marcha plataformas de acção conjuntas.
Paulo Coelho participa no fórum como Mensageiro da Paz das Nações Unidas. O autor fará parte do parlamento do acto de encerramento, junto com Ali Babacan, Ministro turco dos Negócios Estrangeiros, o antigo Presidente Jorge Sampaio, Alto Representante da Aliança de Civilizações, e Miguel Angel Moratinos, Ministro espanhol dos Negócios Estrangeiros, entre outros representantes da sociedade civil.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Sites do Grupo Pergaminho ultrapassam a marca dos 20 000 visitantes em Novembro!

Disponibilizados ao público em Maio, os sites do Grupo Pergaminho SA, constituidos pela pergaminho.pt, bicodepena.pt, gestaoplusedicoes.pt, arteplural.pt e oquintoseloedicoes.pt, têm crescido em número de visitantes ao longo dos meses. Em Novembro, as visitas bateram todos os recordes, atingindo a marca dos 20 000. Com uma média de 800 visitas diárias, esperamos crescer em 2008 para uma média de 1000. Mas nada disto seria possível sem a contribuição fundamental dos nossos leitores que diariamente consultam os nossos sites. A Pergaminho agradece e deseja um feliz Natal e um bom Ano Novo para todos!

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Paulo Coelho, Embaixador Europeu para o Diálogo

Em Outubro deste ano, o escritor Paulo Coelho foi nomeado Embaixador Europeu para o Diálogo Intercultural. A 4 de Dezembro fez o discurso de abertura na conferência de imprensa que lança o Ano Europeu do Diálogo Intercultural (2008). O evento teve lugar em Bruxelas, na sede da Comissão Europeia.
Para o escritor, o diálogo intercultural é um instrumento que pode ajudar os cidadãos europeus e todos os habitantes do espaço europeu a adquirirem conhecimento e capacidades para conviver num ambiente mais aberto e culturalmente rico, respeitando a diversidade cultural e os valores humanos que todos partilhamos.


Transcrição do Discurso de Paulo Coelho

Senhoras e senhores,
Estimado Senhor Comissário Jan Figel,
Estimados Senhores Embaixadores,

Como crescem as sociedades e as culturas? Como crescem as pessoas?
Como poderão os membros de uma sociedade e de uma cultura desenvolver-se e reavaliar os seus valores sem a cultura para lhes servir de espelho, de parceiro e até de professor? É difícil imaginar.
Uma sociedade sem interacção acaba por se isolar ou até, por assim dizer, por morrer. São o encontro e o diálogo com os outros que enriquecem e desafiam as nossas crenças e opiniões. Estes encontros permitem-nos crescer.
Hoje em dia, o mundo é mais pequeno e, no entanto, também se expandiu de vários modos. É corrente chamar-lhe «aldeia global». Vejo-me hoje, um cidadão brasileiro a fazer um discurso no edifício Berlaymont em Bruxelas, na companhia de embaixadores europeus de países tão diferentes, e parece-me ser a designação correcta – uma designação maravilhosa, se me permitem.
Embora tenhamos a sorte de desfrutar de todas as vantagens da vida numa aldeia global, devemos ainda lembrar-nos de que embora as nossas culturas sejam muito diferentes na forma como se manifestam, partilham, ainda assim, os mesmos valores. O diálogo intercultural tornou-se um elemento fundamental da nossa vida diária – não por sermos semelhantes, mas porque a arte permite a interacção entre pessoas diferentes. Quando vemos pontes importantes a desabar – pontes políticas, económicas e religiosas –, temos ainda a cultura para ajudar à compreensão.
A própria União Europeia tem assistido a mudanças que trouxeram consigo novos amigos, mas também novos desafios – o acréscimo de novos estados-membros, a migração no espaço europeu, a interacção com novas culturas dentro e fora da União Europeia. Estes desenvolvimentos tornaram o diálogo entre diferentes culturas, dentro do espaço europeu, mais importante do que nunca.
É por isso que nos reunimos aqui, hoje, para lançar o Ano Europeu do Diálogo Intercultural (2008), cujo objectivo é: promover o diálogo cultural como instrumento para auxiliar todos os cidadãos europeus e todos os habitantes do espaço europeu a adquirirem os conhecimentos e competências que lhes permitirão lidar com um ambiente cultural mais complexo e aberto; alertar a Europa para a importância do desenvolvimento de uma cidadania europeia activa, aberta ao mundo, tolerante relativamente à diversidade cultural e baseada em valores comuns; e especialmente encorajar os jovens cidadãos europeus a participarem activamente no diálogo com outras culturas, dentro e fora da União Europeia.
Eu e os meus estimados colegas embaixadores europeus estamos aqui presentes, hoje, para dar o rosto a esta maravilhosa iniciativa e para apoiá-la com a nossa experiência de viver em diferentes sociedades e de revelar a nossa cultura ao mundo. Não podemos esquecer que as pessoas são a força motriz, a essência da vida, o coração da cultura. Têm o poder de a fazer crescer e de a abrir a novos impulsos, novas perspectivas e, em última análise, a novos amigos. Porque o «outro» pode sempre tornar-se um amigo querido, quando aprendemos a aceitar as diferenças.
Muito obrigado.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Excerto:


Marc Levy


ISBN: 978-972-711-807-6
N.º de páginas: 272
Dimensões: 15 × 23
Preço c/ IVA: € 16,00

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«Yvonne aproveitava a calma da tarde para dar uma arrumadela ao seu stock na cave. Olhou para a caixa à sua frente. O Château-labegorce-zédé era o seu vinho preferido e guardava preciosamente as muito raras garrafas que possuía para grandes ocasiões. Mas desde há longos anos que não tinha grandes ocasiões para celebrar. Passou a mão sobre a fina camada de pó que cobria a madeira, rememorando com emoção a noite de Maio em que o Manchester United ganhara a Taça de Inglaterra. Sentiu de repente aquela dor no fundo do peito. Yvonne dobrou-se em duas, à procura do ar que subitamente lhe faltava. Apoiou-se à escada que subia para a sala e procurou os medicamentos na algibeira do avental. Os dedos entorpecidos tinham dificuldade em segurar o frasco. Com esforço, conseguiu fazer saltar a tampa, deitou três comprimidos na palma da mão e lançou-os para o fundo da garganta, inclinando a cabeça para trás para melhor engolir.
Esgotada por causa da dor, sentou-se no chão e esperou que o químico agisse. Se Deus não a quisesse hoje – disse para consigo –, o seu coração acalmaria dentro de alguns minutos e tudo estaria bem; tinha ainda muita coisa para fazer. Prometeu a si própria aceitar o próximo convite de John para ir ao Kent, enfim, se ele o renovasse depois de tantas recusas dela! Apesar do seu pudor, apesar das suas recusas, aquele homem fazia-lhe falta. Aliás, fazia-lhe falta a tal ponto que roçava a loucura. Seria então necessário que as pessoas se afastassem para se perceber o lugar que tinham nas nossas vidas?»

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Paulo Coelho nomeado Mensageiro da Paz pela ONU

Na sexta-feira, dia 21 de Setembro – o Dia Internacional da Paz – o Secretário-Geral das Nações Unidas Ban Ki-moon honrou o escritor brasileiro Paulo Coelho e S.A.R. a princesa Haya Bint Al Hussein da Jordânia nomeando-os Mensageiros da Paz das Nações Unidas. Vão juntar-se a quatro outros Mensageiros da Paz (indivíduos que possuem talentos internacionalmente reconhecidos nos campos da arte, literatura, música e desporto) na sua missão de ajudar a promover a consciência mundial dos ideais e actividades das Nações Unidas.
Paulo Coelho, o autor internacionalmente aclamado de O Alquimista, usa o seu apelo universal para ajudar os membros mais carenciados da sociedade brasileira através do Instituto Paulo Coelho, que fundou com a sua mulher Christina Oiticica. É também um defensor do multiculturalismo através do seu trabalho com a UNESCO como Conselheiro Especial para o Diálogo Intercultural e a Convergência Espiritual.
Paulo Coelho, activista político desde a sua juventude, continuará a promover o diálogo intercultural e a concentrar-se nas necessidades das crianças em todo o mundo enquanto Mensageiro da Paz. Paulo Coelho tem encantado os leitores de todo o mundo ao longo de vários anos e tem sido honrado com numerosos prémios pela sua obra, que se encontra traduzida para mais de 65 idiomas.
O Secretário-Geral da ONU justificou a sua escolha dizendo que «o talento de Paulo Coelho como escritor e a sua excepcional capacidade de tocar as vidas das pessoas, ultrapassando fronteiras e culturas, fazem dele um poderoso Mensageiro.»
Embora não possa comparecer às cerimónias do Dia Internacional da Paz devido a compromissos anteriores, Paulo Coelho disse sentir-se honrado com esta nomeação. «Aceito de bom grado esta responsabilidade e esforçar-me-ei por criar um futuro melhor para esta e as futuras gerações.»
Outros Mensageiros da Paz e as suas áreas de intervenção são: Jane Goodall (ambiente); Michael Douglas (desarmamento e paz e segurança); Yo-Yo Ma (juventude);e Elie Wiesel (direitos humanos e o holocausto). O tenor italiano Luciano Pavarotti foi um Mensageiro da Paz durante quase uma década até à sua morte em Modena, Itália, a 6 de Setembro de 2007. Michael Douglas, Jane Goodall e Elie Wiesel estarão presentes nas celebrações do Dia Internacional da Paz.

Links da notícia na imprensa portuguesa:

Diário Digital

Semanário Sol

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Imprensa - Dalai Lama em Lisboa

Dia 5:
«Terminou visita de Dalai Lama
Líder espiritual tibetano partiu para a Áustria

O líder espiritual tibetano, Dalai Lama, que hoje terminou uma visita de cinco dias a Portugal, partiu para a Áustria onde participará segunda-feira como convidado de honra num fórum internacional sobre «A procura do sentido da vida».
A visita de Dalai Lama à Áustria, onde visitará também um aldeia infantil SOS, já desencadeou um debate naquele país porque o Presidente da República, Heinz Fischer, não quer receber o Nobel da paz alegando «falta de tempo». No seu último dia em Lisboa, depois de cinco dias de visita, Dalai Lama falou para um plateia de dez mil pessoas numa conferência pública dedicada «Ao poder do bom coração» onde apelou à paz, ao diálogo entre as nações e à compaixão.»


16 de Setembro, Portugal Diário


«Dalai Lama, humano como nós

O Prémio Nobel da Paz esteve esta tarde no Pavilhão Atlântico. Nas bancadas da sala lisboeta, 10 mil pessoas ouviram-no falar de «paz», «compaixão» e «felicidade». O líder espiritual do Tibete fez questão ainda de explicar: «Sou como uma pessoa igual a vocês, mentalmente, emocionalmente, fisicamente. Sou simplesmente um ser humano».

O Pavilhão Atlântico costuma encher para receber estrelas da música do Pop e Rock mundial. Esta tarde, o Dalai Lama também conseguiu que 10 mil pessoas o fossem ver e ouvir à sala lisboeta. Muitos olham para ele como um profeta. Outros como um pacificador. Há quem vá mais além e o considere o «Buda Vivente». Mas o dono da gargalhada mais contagiosa do mundo das religiões disse que é apenas um de nós.
Uma hora antes do líder espiritual do Tibete entrar na maior sala de espectáculos da capital, o movimento em torno ao pavilhão era já intenso. Maria Brito, uma farmacêutica de 49 anos, explicava a razão de estar ali. «Não sou praticante, mas visitei recentemente a Tailândia e todo aquele misticismo e exotismo, a fé de pessoas e a comunhão com a natureza apelaram ao mais fundo do meu ser. Senti-me atraída por esta filosofia e prática de vida», disse ao PortugalDiário, considerando que a vinda do Dalai Lama é também uma «forma de recordar a questão do Tibete».
Cecília, de 28 anos, e Pedro, 25, também disseram ter «alguma afinidade com o Budismo». «O Dalai lama é quase um ídolo e tínhamos que vir hoje. A presença e energia dele é importante para a nossa caminhada», explicou ela. Com ambos a dizerem-se bem informados sobre os problemas que os tibetanos têm enfrentado, depois da invasão do território, em 1950, e do posterior exílio, em 1959, do seu líder espiritual, que actualmente reside em Dharamsala, na Índia.

«Sou simplesmente um ser humano»
Quem foi ao Atlântico à espera de escutar subtilezas místicas foi esclarecido logo ao início, pelo próprio Prémio Nobel da Paz, que não era disso que vinha falar. «Algumas pessoas vieram aqui com muitas expectativas. Isso é um erro. Eu não tenho nada para oferecer, só apenas alguns pensamentos. Há ainda algumas pessoas que acreditam que o Dalai Lama tem poderes mágicos. Isso é uma asneira. Alguns até acreditam que o Dalai Lama tem o poder de curar. Isso é um disparate», abriu assim a sua palestra o homem que se senta sempre que quer dizer coisas importantes.
O líder espiritual afirmou-se mesmo um céptico relativamente aos chamados milagres. «Devemos ser realistas, práticos», apelou, tratando de esclarecer que o qualificativo de Buda Vivente, que muitas vezes lhe é atribuído é errado. «Sou como uma pessoa igual a vocês, mentalmente, emocionalmente, fisicamente. Sou simplesmente um ser humano». E a gargalhada que se seguiu não o deixou mentir.

terapia da «compaixão»
O Ocidente, disse o Dalai Lama, descobriu os segredos do progresso material. Mas com o preço de um «vazio» que separa as pessoas da «felicidade» que não pode ser preenchido por nenhum tipo de solução técnica. O «stress, a solidão, a depressão» são os sintomas da «negligência» a que têm sido votados os «valores interiores», diagnosticou.
A perda de influência da religião e a desintegração dos núcleos familiares foram apontados como desagregadores de uma «educação» que levava as pessoas a estarem mais próximas da vida interior e como causadores do erosão que sofreu o «sentido da compaixão» - a palavra mais escutada da tarde.
Para o líder espiritual, a «compaixão», no seu sentido de «preocupação genuína pelos outros» é a resposta para uma vida que tem a felicidade como meta. «Mas isto é algo que exige treino» e uma educação para uma «ética secular», não no sentido de excluir as religiões, mas de incluir também os que não acreditam, defendeu.

«A paz não cai do céu»
A sua mensagem centrou-se também na questão da guerra e na resolução do problema do Tibete. Para o Dalai Lama, a paz exige um compromisso sério e a tomada de consciência da humanidade como um todo. «Não há o nosso planeta e o planeta dos outros», explicou, qualificando os conflitos como uma expressão de ódio que pode ser solucionado num duplo movimento de compromisso com «um desarmamento interior e de um desarmamento exterior». «A paz não cai do céu», concluiu.»


Hugo Beleza, 16 de Setembro, Portugal Diário

Dia 4:
«A luta da não violência


Sua Santidade o Dalai Lama não negoceia poder. De resto, ele recebeu-o de quem nunca viu, como reincarnação do anterior Dalai Lama, e sabe que nunca conhecerá o sucessor, que precisará que ele morra para poder nascer. Associar nestas circunstâncias poder espiritual e, de facto, poder temporal é completamente estranho. No entanto, ele sabe que existe um povo com séculos de identidade nacional à espera que se concretize o seu sonho de democracia e liberdade para o Tibete.

O Dalai Lama que esta semana fez uma visita de cinco dias a Portugal é uma personalidade tão estranha como fascinante. Em termos políticos, há quem o veja a par de Mahatma Gandhi, Martin Luther King e Nelson Mandela, mas ele interage com as pessoas de forma muito mais profunda. Ele age tanto na esfera política, como na social e na religiosa, em simultâneo com um poder inquestionável. Percebe-se o desespero de interlocutores como Mao Zedong, Chuen Lai e Deng Xiaoping quando em meados dos anos 50 o chamaram a Pequim para discutir o futuro do Tibete e pensaram arrebatar-lhe um compromisso. Impossível, porque ele é tudo, mesmo quando diz não querer nada.

Na base, Dalai Lama é símbolo de um poder teocrático como aqueles que, à semelhança dos ayatollah no Irão, se querem impor violentamente em muitos países muçulmanos. Mesmo com os princípios pacifistas, o seu restabelecimento no Tibete não deixaria, aliás, de colocar problemas. Seria, por exemplo, muito interessante verificar como numa sociedade aberta e tolerante vigorariam os rígidos princípios religiosos de castidade que, como afirmou numa entrevista à revista francesa ‘Le Point’, não permitem homossexualidade, nem sexo oral, nem sexo anal, nem sequer masturbação. Vingaria a repressão ou relativar-se-ia a castidade que marca o budismo, como de resto todas as outras religiões?

Prémio Nobel da Paz em 1989, o Dalai Lama é uma personalidade sem mácula. Assenta-lhe bem a deferência Sua Santidade. A sua presença é expressão de serenidade e tem efeito tranquilizador. Há, contudo, quem lhe aponte demasiado conservadorismo e algumas companhias com passado pouco recomendável. O professor alemão de ginástica que lhe ensinou como era o Ocidente e surge interpretado por Brad Pitt no filme ‘Sete Anos no Tibete’, de Jean-Jacques Annaud, era um nazi das SS, e na sua preferência pela Alemanha, entre os países europeus, multiplicam-se relações com personalidades de extrema-direita, nomeadamente o austríaco Jorg Haider, antigo governador da Carínthia e ex-ministro com passagem muito polémica pelo governo de Viena. No outro lado do Mundo, teve em tempos como grande dador de apoios financeiros o japonês Shoko Asahara, que perpetrou com a seita Aum um diabólico atentado com gás sarin no metro de Tóquio.

Nada de mal parece contudo pegar-se ao Dalai Lama que corre o Mundo a pregar a paz e a não violência como a única forma de luta capaz de derrubar uma tirania sem a substituir por outra. São nesse aspecto exemplares as propostas que repetidamente tem feito à China de Pequim para que haja democracia e liberdade no Tibete, de onde foi obrigado a fugir em 1959, sob a ameaça dos exércitos comunistas.O Dalai Lama, a quem os chineses tratam sempre por Tenzin Gyatso e fazem uma implacável perseguição diplomática, propõe-lhes um plano de paz assente no básico: Respeito pelos direitos humanos e a democracia; eleição de um governo democrático nas três províncias do país; administração estatal em cooperação com a China que continuaria responsável pelos assuntos de Negócios Estrangeiros e Defesa.»

João Vaz, 15 de Setembro, Correio da Manhã